Por que focar no Curto Prazo?
No contexto brasileiro, o descontrole do passivo circulante (dívidas de curto prazo) é a principal causa de dificuldades dos clubes. Muitas vezes, para contratar atletas ou pagar salários atrasados, gestores tomam empréstimos bancários com juros altos e vencimento rápido, ou deixam de pagar impostos, criando uma "bola de neve". Quando o volume de dívidas que vence em 12 meses supera a capacidade de caixa, o clube entra em asfixia: atrasa salários, atrasa parcelas de contratações, atrasa o pagamento de fornecedores, com o risco de bloqueios judiciais e transfer bans.
Este indicador busca auxiliar os clubes a interromper esse ciclo vicioso.
Indicador de Endividamento de Curto Prazo
A ANRESF estabeleceu um limite claro para a exposição financeira dos clubes. A regra geral é: O clube não pode dever no curto prazo (12 meses) mais do que 45% de tudo o que arrecada no ano. Isso é calculado através da seguinte razão:
Numerador
Obrigações Líquidas de Curto Prazo (Dívida Líquida).
Denominador
Receita Bruta Anual (ou métrica equivalente do período).
O Que Compõe a Dívida
Para chegar ao valor da dívida, o regulamento utiliza um conceito moderno: ele considera tudo o que o clube deve pagar em breve e subtrai o que o clube tem guardado no banco.
Empréstimos Bancários
Financiamentos com vencimento próximo;Dívidas Trabalhistas Vencidas ou Acordadas
O que inclui valores devidos a ex-funcionários (atletas, comissão técnica, etc.), inclusive obrigações relativas a Direitos de Imagem;Tributos Vencidos, Parcelados e Renegociados
Impostos em atraso (parcelados ou não) entram pelo valor total;Acordos cíveis e mecanismos de execução
Inclui parcelas com vencimento nos próximos 12 meses relativas a acordos cíveis judiciais ou extrajudiciais;Transferências
Valores a pagar a outros clubes pela compra de jogadores.
Caixa Disponível
Valores em conta corrente e aplicações de liquidez imediata;Outros Ativos de Curto Prazo
Recursos realizáveis no curto prazo que o regulamento considera para reduzir a dívida líquida.
Metas Progressivas (Transição Suave)
Sabendo que muitos clubes brasileiros possuem, hoje, um nível de endividamento alto, o Regulamento criou uma "escada de adequação" para que todos possam se ajustar sem inviabilizar a operação.
O limite de 45% será exigido plenamente apenas em 2029. Até lá, os limites serão reduzidos gradativamente:


